quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Hurry Can, de Leixões a Sesimbra!

 
Amigos da Vela,
É verdade, o Hurry Can encontrou um novo dono em Espanha!
Tendo ficado de entregar o barco na costa mediterrânea espanhola, este fim de semana fiz a primeira etapa da viagem. Na sexta-feira saí a correr do emprego em Santa Maria da Feira e cheguei à marina antes das 18:30 onde me encontrei com o feliz comprador. De véspera tinha já preparado o barco, carregado gasolina e alimentação. Até lavei o casco para andar mais! Partimos os dois antes das 19h para ver como estava. Vento fraco SE. O barco andava a 3 nós. Melhor que estar parado! Decidimos seguir viagem.

 
Apesar de abandonados pelo persistente norte, tão habitual na nossa costa (a verdade é que consultei as estatísticas do Windguru e são frequentes os ventos de sul em Outubro), progredimos, até porque estava pouco mar. Viagem sem sobressaltos com a companhia de alguns golfinhos (golfinhos comuns de bico curto) que estiveram a brincar com o barco e nos acompanharam por algum tempo. As refeições foram ricas e variadas, passando por Bimbo com queijo e fiambre, atum, chocolate, barritas e bananas. Ao fim de 2 dias e meio na água, sem escalas, só me apetecia arroz com qualquer coisa quente... Casa de banho não havia! Dormir... uma horinha de vez em quando.
Berlengas e Cabo Carvoeiro, Cabo da Roca, Cabo Raso... Só quem viaja por mar pode perceber o significado dos cabos.
Ao chegarmos a Cascais o tempo ficou mais severo: vento mais forte e ondulação mais forte. Metemos 2 risos e estávamos já com o estai mais pequeno. A ondulação estava de NW com 2m mas vaga de vento desencontrada. Num barco de fundo plano como o POGO, não é agradável este mar porque o barco bate na onda. Ainda assim à bolina, demos mais de 6 nós e a sensação de segurança era constante. Grande barco este Pogo 6.5!
No Domingo à noite ponderamos entrar em Cascais mas decidimos prosseguir para Sesimbra ou Sines. Acabamos por nos meter debaixo de uma frente com ventos fortes, rajadas, chuva grossa e mais tarde relâmpagos. A cada trovão, nunca o barco me pareceu mais branco! Ao aproximarmo-nos de Espichel metemo-nos mesmo debaixo dela! Eram relâmpagos do lado de mar e de terra, estávamos lá no meio... e para agravar, as condições de visibilidade reduziram-se drasticamente. Aguentamos. Nessa altura confesso que receei ter que ficar no mar a pairar por não haver condições para entrar no porto. É claro que me lembrei que a maioria dos acidentes ocorrem precisamente com a insistência de entrar num porto sem que hajam condições. Mas percebo agora melhor a sensação de querer fugir dali e entrar no porto a todo o custo...


Resiliência é o que é preciso! Ao fim de poucas horas, depois de períodos alternados de fortes rajadas e calmarias, e à medida que nos aproximávamos do cabo, o vento caiu e o mar abrandou. Ligamos o motor (4 cv), que até então não tínhamos utilizado, e fizemos as 7 Mn que faltavam até Sesimbra. Chegamos depois das 4:00H da manha, tomamos um banho e descansamos um pouco para no dia próprio dia às 8:00H voltarmos a casa.
Viagem fantástica, mas a próxima etapa é que vai ser: Estreito de Gibraltar!
Um abraço,
Paulo Lima
"Lançamos o barco, sonhamos a viagem: quem viaja é sempre o mar."
Mia Couto


Comentário bloguista: Hurry Can fazia e continuará a fazer parte do património dos Amigos da Vela, da nossa memória e coração. Quase sempre presente nos nossos percursos à vela, muitas vezes cruzamos a sua esteira e admiramos o seu ousar e velejar... Uma parte de nós vai também...
Paulo Lima, amigo, gratos pela partilha desta fantástica aventura que nos admira (já devíamos estar habituados...), ficamos agora a aguardar o relato da restante odisseia!
Um grande abraço e bons ventos!

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